segunda-feira, 30 de novembro de 2009


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ato




Sentia-se princesa ao receber flores. Aquele simples ato (tão simples, pensava ela) tinha a capacidade de leva-la a outra instancia,
eleva-la
e le va - la
ele va lá

- Vá lá moço, atue esse simples ato tão atado !

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A Rua, o Palco

No inicio, era uma Rua escura que lhe causava insegurança, medo de não saber onde pisava, de não reconhecer os códigos locais. Seus olhos dilatavam, sua carne endurecia.

Sentou naquela mesinha meio a contra gosto, não se afeiçoou à primeira vista. Conforme foi se entregando, foram aparecendo uma serie de sensações que não havia experimentado antes. Aquele confit de pato, carne macia perfumada com mel de lavanda alterou seus sentidos elevando-a a um estado jamais povoado antes, acompanhado de um inigualável vinho da casa e uma musica típica, a configuração inicial foi modificada.

Entre goles do vinho, começou a admirar o espectáculo que descortinava à sua frente. A Rua escura virou um palco, e ela, na primeira fila da plateia.

Primeiro ato: Uma família com vestimenta pomposa surgia daquele Nada, vestidos longos com babados, semblantes sisudos, típicos franceses aristocratas do séculos anterior rasgavam o vazio silencioso da Rua.

Segundo ato: Uma senhora oriental, carregada de sabedoria, compenetrada e paciente, acompanhava as alunas, também orientais, com seus violinos embaixo do braço até a esquina. As meninas, com 8 e 6 anos aproximadamente, desciam a rua num companheirismo mudo, deviam ser irmãs. A senhora as seguia, atenta. Trocaram olhares e partiram.

A essa altura já estava encantada com aquele ballet quotidiano, inebriada pedia mais vinho.

Viu descer uma mocinha correndo apressada, com roupa moderna, olhava as horas, a cada passo que dava.

Pausa.

Surgiram três jovens, de mochila e bicicleta. Foram em direção a portinhola logo atrás dela, entraram com mochila, bicicleta e tudo. Num papo caloroso sobre arte e cultura, na mesma rapidez que entraram, saíram com toda a tralha e seguiram o caminho.

De repente, passam dois bêbados aos gritos, lembrando a ela que estava num pais estranho com códigos diferentes, mas aquela altura não deixou este sentimento entrar onde não era chamado.

E assim seguiu a noite; grupos de meninos adolescentes conversando alto, com roupas customizadas e garrafas de bebida na mão. Um pintor carregando seus quadros lentamente, um casal de namorados discutindo relação, família de ingleses curtindo os últimos momentos de ferias, casal jovem com bebê, amigas produzidas indo curtir a noite, crianças de bicicleta, homem com buque de flores na mão, sanfoneiro musicando seu passeio...

Muitos e muitos atos se apresentaram ali, cada um em seu percurso constituía o espetáculo.



Ultimo ato: mãe e filha com ar de satisfação plena penetravam naquele ballet. Com um dialogo descontraído buscavam o descanso para mais um dia de aventura.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O quadro


 Visões

Silênciosas

Escapam à sua frente.

Pinceladas

Estáticas

Pintam

O quadro.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009


  • .
  • Seu corpo era ligado a um olho d'água, lá no fundo do oceano, onde a água brotava livremente, límpida. 
  • Era uma oscilação entre força e delicadeza. A força física da terra, junto com a delicadeza das bolhas de água que se formavam em ritmo ordenado,calmo e contínuo. 
  • Ao lado, espalhavam-se jóias coloridas e moedas de ouro, daquelas bem gordas, como tesouro mesmo.
  • Seu corpo todo foi tomado por aquele tesouro, gotas d'ouro pingavam por todos os lados, experimentava uma sensação de relaxamento e beleza.  (Lembrou de filmes que via na infância, onde grupos de crianças perdidas achavam navios com tesouros esplendorosos, em paisagens incríveis brincavam, riam e mergulhavam em aguas claras vivendo aquilo com intenso prazer, e a menina, no sofá da sala maravilhada, querendo pular para dentro da televisão)
  • Foi parar num ritual sagrado a beira mar, onde a Rainha do Mar saudava os presente.
  •  Todos estavam lá, pescadores e marinheiros, senhoras religiosas, crianças, pessoas que passavam despretensiosamente, entretanto estava tão entregue ao momento que era como se estivesse sozinha. Ela e o Universo. Inventava mantras em sua cabeça, juntava um pouco de tudo que já tinha aprendido, mesclando crenças, unificando-as em si.
  •                
  • Jogava tudo que não lhe pertencia no mar, faxinava-se, habitava todos os cantos de seu ser e com um esfregão, tirava as cracas rebeldes que teimavam em se meter onde não haviam sido chamadas.
  • A água salgada tinha o potencial de lavar lhe a alma.


  • .

domingo, 30 de agosto de 2009

MUDANÇA DE LENTE (ajuste de foco)





Era um momento de brotação, de florescimento. Tudo borbulhava dentro dela, pensamentos, sensações e visões se apresentavam descaradamente meio sem pedir permissão para chegar.


De uma forma clara?

Não, não, tudo ao mesmo tempo, muitas espécies eram plantadas concomitantemente, de diferentes formas.

Era uma crise de sentidos?

Acho que sim. Era um tempo a ser atravessado, uma confusão só.

Limbo?

Deve ser.

Sabia que precisava realizar rupturas, precisava desgarrar.

Mas como?

Entendia que era quase que uma dor do parto, mesmo que não tenha vivido um parto real, já havia parido blocos de concreto, placas tectônicas já haviam sido paridas outrora.

Buscava um encaixe dessas placas-quebra cabeça. Talvez ficasse lindo num quadro emoldurado, reconheceria como obra artística.

Era bonito?

De se ver sim, mas muito indigesto de se engolir, não queria mais carregar essas placas, na verdade nem era uma questão de escolha, seu corpo demostrou intolerância e expeliu.

Já dançava em outra batida, tinha um prazer, ainda meio sem forma.

Estava perdida?

É, um pouco. Sentia-se diferente, havia uma mudança de paradigma.

Estava sem a base anterior, apesar de a vida inteira ter entendido essa base como algo quase que abstrato, subjetivo, nada palpável, até disso estava se despedindo.

Prezava as escolhas, aconselhava as escolhas, mas tinha medo de escoar-se inteira.


A Agua estava turva.


Sentia que estava saindo do cantarolado ancestral, porém deste, sem se desgarrar. 


A cena era:


Numa floresta bem verde, a mocinha pisava na terra molhada. Como num ritual,  brincava com a textura da Terra, deslizava seus pés, cubria-os sentindo a temperatura fresca da Natureza. Ao fundo, ouvia a malemolência e força daquela cantiga épica e apreciava o cheiro do caldo nutritivo  que havia lhe formado gente.  Quando se deu conta, crescia um girassol por dentro de seu corpo, com um caule bastante robusto, entrelaçava-se por sua coluna e a cima de sua cabeça descortinava a flor, com imponencia singular.

domingo, 16 de agosto de 2009



Andou quilometros

A terra seca já tirava o colorido de sua roupa

nada a desanimava

andar lhe trazia felicidade


(era natural)


quanto mais subia

mais instigada ficava

quanto mais selva

mais seus olhos brilhavam


passou por várias adversidades

sem grandes dificuldades.

parecia flutuar sobre pedras e barrancos


passou por mata burros.

em um deles, entrelaçou a perna


ele estava retorcido

ela sentiu o rasgo


seguiu


mais a frente achou um corrego 

se cuidou momentaneamente.


era forte

engoliu a dor


era fundo

deixou o cuidado d'agua limpar seu machucado


(queria o minimo de interferência humana)


continuou subindo

era como se limpasse a visão

todos os detalhes e texturas eram vistos (com encantamento)


"campos de poejo"

sentia a completude daquele aroma

perfumando o mundo


"campos de orquideas amarelinhas"

sentia a completude daquela rebuscada flor

embelezando o mundo


Na cidade, sentia-se desprotegida




tinha medo de gente.